à deriva
Acho que o que mais me assusta é, tudo bem que trabalhar com arquitetura não é meu sonho, mas mesmo se fosse eu não passaria nessas vagas. O que me assusta é eu ter vontade de fazer coisas, chegar a lugares e sempre ser puxada para baixo. Não é agora o meu sonho trabalhar em um escritório renomado, localizado em um lugar rico pelo status, mas e se fosse? e se eu quisesse ser como todo mundo que quando quer, vai lá e faz? eu não poderia, porque nunca está nas minhas mãos a escolha. nunca o veredito é meu sobre ficar ou não em um lugar, vem sempre de terceiros que olham pra mim e decidem se eu sou ou não apta para estar ali. eu me sinto à deriva. como se as portas estivessem se fechando e a única opção estivesse sendo empurrada goela abaixo pra mim. Aquele destino que sempre me assola, pra onde vão as pessoas que não têm dinheiro, as pessoas mentalmente instáveis, as pessoas que não foram aceitas nem encaixadas em nenhuma esfera da sociedade, as pessoas que não tem ninguém por elas, as pessoas desacreditadas e rejeitadas: a rua. Será esse o destino que minha vida está me levando, será que realmente não há outra saída pra mim? tudo que eu tento, nada vai dar jeito? nenhum psicólogo, remédio, tratamento, nada. tudo já está destinado assim? eu sinceramente não sei mais o que fazer, minhas limitações fazem restar poucas (quase nenhuma) opção pra mim. as últimas que vejo tenho medo de no final descobrir que também não dão certo. tenho medo de lapidar a dúvida de “o problema sou eu?” até virar certeza. tenho medo de manchar as escolhas novas com meus problemas velhos. tenho medo de arruinar tudo que eu toco com meu rastro de fracasso. sinto vontade de apenas sentar e esperar. mas esperar o que? tá mais que comprovado que quanto mais me isolo pior eu fico. é que eu não suporto submeter as pessoas ao desconforto da minha presença, porque se eu pudesse escolher eu não me submeteria. então eu me escondo, até porque estar com gente é torturante pra mim. embora não tenha como viver bem e feliz nesse mundo sem gente. me sinto num túnel sem saída. gritando embaixo d'água. ninguém vem me ajudar. estou sozinha
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